Acho que nada melhor para estrear este espaço do que falar sobre mudanças. Afinal, somos tão mutáveis... cada hora de um jeito. Mas sempre com os mesmos padrões. Um ciclo. Então, falarei sobre eles.
Estou farto dos ciclos. Já reparou como tudo nesse mundo é cíclico?
Não que sejam ciclos perfeitos, mas se você parar pra pensar, tudo volta a ser exatamente aquilo que era depois de algum tempo.
Desde as estações, fases da lua, rotações da Terra, até alterações de humor, relacionamentos, padrões caóticos, absolutamente tudo.
Nada foge do cíclico. Ou talvez, seja um simples problema de falta de opções. Afinal, só se pode ser algo ou não ser algo, ter ou não ter; na essência, não há meios-termos.
O que me leva ao motivo de estar farto dos ciclos. Preza-se tanto o equilíbrio, a harmonia, o fato de se encontrar exatamente o meio-termo das coisas. E, mantendo a balança reta, tudo torna-se mais fácil.
Como podemos sequer encontrar um meio-termo se só temos a opção de escolher entre dois extremos? Seria um conjunto de extremos capaz de criar um equilíbrio qualquer? Seria, novamente falando em um nível essencial, qualquer tipo de harmonia inatingível? Estamos fadados a um eterno caos, que às vezes, por sorte, ordena-se apenas para sofrer uma posterior auto-destruição?
E novamente, caímos num ciclo. Conflito, harmonia, conflito, harmonia, conflito... E mesmo esse pensamento aqui escrito, novamente, cíclico. Metacíclico, eu diria. Um ciclo sobre o ciclo.
Enfim, estou farto. Preciso começar a descobrir como as coisas funcionam...
E, novamente, após a reflexão, o tédio aproxima-se novamente.
Culpados
Há 16 anos
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